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sábado, 17 de maio de 2014

Combate à homofobia: ODIA flagra reação de teresinenses ao ver casais gays

O 17 de maio, dia em que atualmente está instituído o Dia Internacional de Combate à Homofobia, tem um caráter de protesto e de denúncia

 

A homossexualidade deixou de ser considerada uma doença há 24 anos, em 17 de maio de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. Contudo, o longo tempo em que os homossexuais foram tratados como doentes ou pervertidos, entre 1948 e 1990, deixou um legado de preconceito e homofobia que persiste e se materializa em propostas como a Cura Gay.
Apesar do reconhecimento da homossexualidade como mais uma manifestação da diversidade sexual, as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) ainda sofrem, cotidianamente, as consequências da homofobia, que pode ser definida como o medo, a aversão, ou o ódio irracional, aos homossexuais: pessoas que têm atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo sexo.
Fotos: Elias Fontenele e Alexander Galvão/ODIA
A homofobia se manifesta de diversas maneiras e em sua forma mais grave resulta em ações de violência verbal e física, podendo levar ao assassinato, cujos índices já colocaram o Piauí entre os estados com mais mortes por homofobia em todo o país. A homofobia também é responsável pelo preconceito e pela discriminação de pessoas LGBT, por exemplo, no local de trabalho, na escola, na igreja, na rua, no posto de saúde e na falta de políticas públicas que contemplem a população LGBT.
O 17 de maio, dia em que atualmente está instituído o Dia Internacional de Combate à Homofobia, além de lembrar que a homossexualidade não é uma doença, tem um caráter de protesto e de denúncia. O ODIA propôs a dois casais, de gays e de lésbicas, que se deixassem observar em locais públicos de Teresina, para que a reação da população fosse flagrada. Foram muitos os olhares surpresos e às vezes debochados registrados em poucos minutos. Os casais, ao fim, lembraram: “o olhar de preconceito está sobre nós a vida inteira”.
ODIA flagra reações 
Fim de tarde de uma quarta-feira com temperatura amena em Teresina. O lugar é o Parque Potycabana. Um rapaz e sua noiva sentam-se na grama verde do parque e, entre sorrisos e poses, são acompanhados por fotógrafos que registram os momentos dos jovens que se casarão em breve. Muitas pessoas passam pelo local e parecem sequer notar a presença dos dois. A alguns metros de distância, Sandra Sousa e Natália Sousa, 35 e 23 anos, respectivamente, que trocam beijos e abraços discretos, atraem olhares surpresos.
As reações às duas lésbicas, casadas desde abril do ano passado, partem de pessoas de várias idades; porém, os mais velhos deixam mais explícita sua reprovação diante das demonstrações de carinho entre as duas moças. Os que caminham sozinhos olham uma, duas, três, incontáveis vezes, talvez para terem certeza de que se trata de duas mulheres demonstrando em público o amor de uma pela outra. Aqueles que passam em grupo pelo local onde estão Sandra e Natália costumam fazer comentários uns com os outros que, tentando disfarçar, olham repetidamente para o casal. Algumas pessoas mudam seu percurso e se aproximam das duas, observando longamente a cena que, entre homens e mulheres heterossexuais, é rotineira.
Adiante, Márcio Lopes e Benerval Rocha, de 22 e 23 anos, respectivamente, conversam abraçados. As reações são ainda mais claras, em especial dos homens que caminham por perto. As feições demonstram certa curiosidade pela presença dos rapazes, que mantêm contato físico, embora discreto, em um espaço público. Muitos comentam com os amigos e alertam para a presença dos dois, para que observem as mãos dadas e o abraço entre as duas figuras masculinas.
A reação das pessoas foi observada pela equipe de ODIA por apenas alguns minutos, entre 17h20 e 18h, da última quarta-feira (14) e foram muitos os flagras registrados. Os casais, que integram o Grupo Matizes, atuante em defesa de pessoas LGBT no Piauí, foram ao parque a pedido da equipe de reportagem e se deixaram observar pelas pessoas, com o objetivo de mostrar o quanto o preconceito ainda é forte, embora velado, a despeito das campanhas e iniciativas em prol do respeito à diversidade sexual.
Para Sandra, embora sem reações agressivas ou ofensivas, os olhares revelam um estranhamento incômodo diante dos casais. Enquanto muitos consideram normais os olhares surpresos, já que muitos homossexuais se preservam por medo de agressões ou ofensas, os alvos se dizem incomodados, como se a troca de carinhos entre duas pessoas, que se amam, fosse algo errado.
“Os olhares para nós duas foram registrados hoje por apenas alguns minutos, mas nós sentimos isso na pele todos os dias, o dia inteiro”, diz Sandra.
Ela relata que evita trocar beijos e abraços com Natália em locais públicos por dois motivos: além do receio de alguma reação homofóbica violenta ou mais ofensiva, reconhece que a sociedade teresinense ainda não está preparada para a presença de gays ou lésbicas, claramente assumidos, em locais públicos.

“Embora eu saiba que isso não tem influência nenhuma sobre a formação de uma criança, sei também que muitos pais não querem que seus filhos presenciem, por exemplo, um beijo entre homossexuais. Então, eu evito, respeito, porque sei que tem gente que não quer ver. Mas eu gostaria de poder demonstrar em qualquer lugar o meu carinho pela pessoa que eu gosto, como faz qualquer casal hétero”, desabafa Sandra
Veja a reportagem completa na edição de hoje (17) do Jornal O DIA.
Repórter: Maria Romero

 

sábado, 10 de maio de 2014

Lançamento da campanha “Somos Todxs Defensorxs”

A matiziana Marinalva Santana, em São Paulo, durante gravação de um documentário, com depoimento de defensores de direitos humanos ameaçados de morte.
O material audiovisual é uma das ações da campanha "Somos todxs defensorxs", uma iniciativa desenvolvida pela Plataforma de Direitos Humanos - Dhesca Brasil, pelo Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).
— com Marinalva Santana.


A campanha é um dos frutos do projeto “Fortalecendo o protagonismo de redes e articulações de direitos humanos no País”, realizado pelo Fundo Brasil
camapanha-defensores
Acontece no dia 7 de maio, em São Paulo, o lançamento da campanha “Somos todxs defensorxs”, uma iniciativa desenvolvida pela Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil, pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação, pela Justiça Global e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).
Para marcar o lançamento, uma roda de conversa com ativistas de direitos humanos.
O objetivo da campanha, que é um dos frutos do projeto “Fortalecendo o protagonismo de redes e articulações de direitos humanos no País”, realizado pelo Fundo Brasil, é dar visibilidade a casos de criminalização das defensoras e dos defensores, chamando a atenção para os processos de coeerção e de violação de direitos de comunidades inteiras e seus porta-vozes.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Dia Mundial de Combate à Homofobia

Dia Mundial de Combate à Homofobia: Matizes em ação pela reafirmação de direitos e cidadania LGBT

O mestre Gonzaguinha embelezou o cancioneiro da música brasileira quando poetizou sobre vida cidadã e busca da felicidade: “a gente quer carinho e atenção/agente quer calor no coração/a gente quer suar, mas de prazer/ a gente quer é ter muita saúde/ a gente quer viver a liberdade/ a gente quer viver felicidade”. É para afirmar o valor da vida, sua dignidade plena, a potência  do viver como ação social transformadora que o Matizes e parceiros  realizam  15/05 ato público pelo dia Mundial de Combate à Homofobia. O evento ocorrerá na praça João Luis  a partir das 9h até 12h.

A ação do Matizes  visa entre outros objetivos reivindicar políticas públicas eficientes para assegurar felicidade e cidadania ao público LGBT. De forma persistente e autônoma,  o grupo tem atuado,  defendido e proposto junto ao poder público   políticas de educação para diversidade, ações de saúde pública humanizadoras na atenção aos lgbt,  interlocuções propositivas  com segurança pública para enfrentamento da homo-lesbo-tranfobia, interação positiva com a mídia piauiense em busca da desconstrução de preconceitos e superação de atos discriminatórios.

Para sensibilizar e promover um diálogo educativo com os teresinenses, o ato contra a homofobia e em favor da vida digna terá presença de teatro de boneco propondo  através dos personagens-protagonistas um olhar de respeito e convivência salutar com a diversidade humana. Esta ação é resultado da parceria com a Fundação Monsenhor Chaves.

Também marcará presença no evento a Delegacia   Regional do Trabalho e Emprego (DRT/PI)  para prestar informações sobre direitos trabalhistas. A Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social e o Centro de Referência em Direitos Humanos integram a atividade através de orientação e divulgação dos serviços prestados pelas respectivas entidades. A Fundação Wall Ferraz prestará serviço de corte cabelo, maquiagem e pintura em unha.

Os estudantes de medicina da Universidade Federal do Piauí/UFPI realizarão o ‘Blitz da prevenção”. Os acadêmicos desta ação integram o comitê da UFPI da IFMSA, organização internacional ligada à Organização Mundial de Saúde e Organização das Nações Unidas. Durante o ato será distribuído  preservativos, gel e folhetos informativo-educativos sobre DST/AIDS dentre outras ações.

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) também estará presente no ato para realizar  orientação e divulgação de informações. Na ocasião o Matizes  distribuirá cartilhas, folder, folhetos e  materiais educativo-informativos sobre escola e combate à homofobia, legislação municipal e estadual de combate à discriminação e ações em favor da cidadania LGBT. 

Performance musical,  artistas de rua magnetizarão os participantes que circularem pelo evento. A somatória deste conjunto de ações reforça a sabedoria do poeta “É! A gente quer viver pleno direito/ a gente quer viver todo respeito/ a gente quer é ser um cidadão”

Dia Mundial de luta contra Homofobia - Fique Sabendo

O dia mundial contra homofobia  representa uma data  importante na luta pelos Direitos Humanos das pessoas LGBTS. Traduz uma caminhada histórica para construção do respeito e conquista de direitos. 

Depois de décadas de  debates, reflexões e pesquisas acadêmicas, organização e participação ativa do movimento LGBT, a Organização Mundial de Saúde(OMS), em 17 de maio de 1990, aprovou e oficializou a retirada do Código 302.0 (homossexualismo) da CID (Classificação Internacional de Doença), e declarou oficialmente que a ‘homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio’.

Este fato traduz uma conquista histórica de grande relevância para o Movimento LGBT Internacional, pois contribui para desconstrução de estereótipos, preconceitos e discriminações que violam a integridade física e psicossocial   de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais.

A data é para relembrar às autoridades públicas  e governamentais a importância de implantar com urgência políticas de combate à homo-lesbo-transfobia. O reconhecimento pela OMS  da homossexualidade, identidade de gênero  e bissexualidade como uma das expressões legitimas da sexualidade  foi um avanço importante, mas é necessário que a  justiça e igualdade se materializem  com a ação dos agentes públicos e empresariais  para promover  políticas no campo  educacional, segurança, saúde, emprego e renda, valorização da cultura  lgbt.

Por Herbert Medeiros

domingo, 20 de abril de 2014

As muitas faces das transgêneras

 


































Elas, Madalenas', do fotógrafo Lucas Ávila, retrata o universo das trans

Raíssa Lopes - Belo Horizonte (MG)


Travestis, transexuais, drag queens, transformistas... Todos estamos acostumados a vê-los à noite. Mas, por quê? O questionamento e a curiosidade sobre o tema levaram o fotógrafo e jornalista Lucas Ávila à criação da exposição “Elas, Madalenas”, que fica em cartaz de 9 a 29 de abril no Memorial Minas. A mostra reúne imagens que retratam o dia a dia das pessoas trans de Belo Horizonte e pretende desmistificar a ideia de que elas estão sempre ligadas ao sexo e à prostituição.

As fotografias são resultado de três anos de pesquisa e convivência do artista com transgêneras de diversas idades, profissões e classes sociais. “No início, meu projeto daria visibilidade somente às travestis, então fui falar com Nero, trans lendária na cidade que possui um salão na Galeria do Ouvidor. Segundo o dicionário, Nero se enquadraria totalmente nessa definição de ‘travesti’, mas quando cheguei lá, ouvi ‘eu não sou travesti’. Perguntei qual definição deveria usar e a resposta foi ‘não sou ele nem ela, eu sou Nero’”. Lucas conta que esse momento foi extremamente importante para que entendesse melhor questões relacionadas à identidade de gênero e classificação. “Deu aquele ‘click’. Pensei ‘quem sou eu para falar que Nero é travesti se nem ele se reconhece assim?’”, declara.

A realização de “Elas, Madalenas” foi possível a partir de financiamento coletivo online. Orçada em R$6.500, três dias depois de lançada já havia alcançado o valor necessário. Após 25 dias, recebeu R$10.830. Mesmo com todo apoio dos internautas, Lucas encontrou resistência dos museus da capital.  “Fiquei um ano tentando arrumar lugares para expor. Tentei em todos possíveis, e era sempre a mesma resposta. Os espaços culturais de BH são engraçados: ou são muito caretas ou dependem de lei de incentivo. Recusavam meu trabalho porque sabiam que daqui a dois meses chegaria um projeto custeado pela lei e que pagaria muito mais a eles do que eu poderia pagar”, afirma.

Somente depois de entrar em contato com o Núcleo de Diversidade de Gênero da Secretaria Municipal de Educação, que promove parcerias com alguns centros culturais da cidade, o jornalista conseguiu locação para a mostra. “Nunca quis expor esse trabalho apenas para pessoas e lugares abertos ao tema. Queria dialogar com o público conversador, sabe? Ver a minha avó lá. E acho que nada mais conservador que a Praça da Liberdade”, explica Lucas.

 Militância

O jovem menciona que depois de se aproximar do universo das transgêneras percebeu o quanto o grupo era marginalizado. “Eu achava que o morador de rua era o que mais sofria com preconceito, mas não, é a travesti. Vivemos em um sistema capitalista e para elas nem boa condição econômica é sinal de valorização. As travestis ricas sofrem a mesma discriminação das que moram na rua”, relata Lucas, que se tornou militante da causa.

Ele chama a atenção para a expectativa de vida das travestis - de 35 a 40 anos - e afirma que as instituições não estão preparadas para acolher pessoas trans. “Se nasci com uma condição e quero manifestá-la, sou banida da família, da escola, do mercado de trabalho. O que me resta? Prostituição, tráfico de drogas ou salão de beleza. E se eu não tenho talento como cabeleireiro?”, questiona.

A partir do seu trabalho, o fotógrafo deseja que a transgeneridade seja vista com naturalidade. De acordo com Lucas, são fotos que mostram pessoas trans em casa, varrendo o chão, executando tarefas cotidianas comuns a todos. A vida de uma travesti que é professora de tênis na UFMG e de outra que adora caminhar pelo Parque Municipal fazem parte do acervo.
  
"Elas, Madalenas"

O nome é uma tentativa de provocar o pensamento crítico dos espectadores. Segundo Lucas, a personagem bíblica Maria Madalena sempre foi estigmatizada, assim como as pessoas trans. “Ela é a pecadora, a apedrejada, mas a Bíblia a reconhece como santa. As transgêneras também são vítimas do desconhecimento, presas a um estereótipo que não existe”.

Serviço

 A exposição fica em cartaz de 9 a 29 de abril, com entrada gratuita. O Museu Minas (Praça da Liberdade) abre todas as terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30, quintas das 10h às 21h30 e domingos, das 10h às 15h30.

Fonte: Brasil de Fato

sábado, 19 de abril de 2014

Grupo Matizes quer retirada de fotos de Wilson Martins e Dilma Rousseff dos órgãos públicos

Segundo o Grupo Matizes, as imagens ficam expostas nas salas de secretários e são facilmente veiculadas na imprensa.

O Grupo Matizes protocolou, nesta segunda-feira (14), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma representação pedindo a retirada das fotos do ex-governador Wilson Martins e da presidente Dilma Rousseff das repartições públicas no Piauí, pré-candidatos a senador e a presidente, respectivamente, no pleito deste ano.
Imagem: ReproduçãoWilson Martins e Dilma Rousseff(Imagem:Reprodução)Wilson Martins e Dilma Rousseff
Por terem suas fotos estampadas em espaços privilegiados de órgãos públicos, a tese do Matizes é que essas imagens são caracterizadas como propaganda extemporânea (irregular), o que fere a legislação eleitoral.

De acordo com a coordenadora do Grupo Matizes, Carmem Ribeiro, as imagens dos gestores nas repartições públicas ferem os princípios da impessoalidade e da moralidade da administração pública. Carmem afirma, ainda, que as imagens são veiculadas em sites do governo.
Imagem: Eduardo MarchãoCarmem Ribeiro(Imagem:Eduardo Marchão)Carmem Ribeiro
“Queremos, portanto, que sejam retiradas todas as fotos de Wilson Martins e Dilma Rousseff desses locais pelo fato de representarem propagandas sutis e subliminares de cunho eleitoral”, afirma Carmem Ribeiro.

Na representação, constam, também, imagens de notícias repercutidas no site do Governo do Estado e de secretarias estaduais em que constam as fotos de Wilson e Dilma. Segundo o Grupo Matizes, as imagens ficam expostas nas salas de secretários e são facilmente veiculadas na imprensa.
FONTE:PortalGP1