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quarta-feira, 7 de março de 2012

Respeito ao Estado Laico


O Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras organizações da sociedade civil, para retirada dos crucifixos e demais símbolos religiosos existentes nos prédios da Justiça gaúcha. A decisão foi aprovada por unanimidade pelos cinco desembargadores que compõem o Conselho.


Em sua manifestação, o desembargador Cláudio Baldino Maciel,  relator do processo, ressaltou que os espaços públicos devem ser utilizados unicamente para símbolos oficiais do Estado. O magistrado também salientou que o Estado laico protege a liberdade religiosa de qualquer cidadão ou entidade, em igualdade de condições, e não permite a influência da religiosidade na coisa pública. 


A articuladora da Liga Brasileira de Lésbica, Ana Naiara Malavolta, c
onsidera este um importante passo na separação do Estado e Religião. “A liberdade de crença religiosa é um princípio fundamental, garantido aos cidadãos, mas ao Estado cabe manter sua imparcialidade e o devido distanciamento para poder encaminhar com imparcialidade demandas de toda a sociedade”, pontua a militante.


Que os ventos dos Pampas soprem na direção de nossa Chapada do Corisco, abrindo as mentes dos desembargadores que irão julgar ação civil pública com pedido semelhante!

segunda-feira, 5 de março de 2012

A cura gay


O clima é de guerra. De um lado, estão os gays e os Conselhos de Psicologia, em suas vertentes federal e regionais, de outro, os cristãos, mais especificamente o povo evangélico. O tema do embate é (aqui não há como evitar as aspas) "a cura da homossexualidade".
O certame teve início nos anos 90, quando militantes do movimento gay, em particular a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), começaram a denunciar aos conselhos os autointitulados psicólogos cristãos, que prometiam curar homossexuais.
A ABGLT pedia punições a esses profissionais com base no Código de Ética do Psicólogo, que, em seu artigo 2º, b, proíbe: "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais".
Em 1999, depois de alguns casos rumorosos na mídia, o Conselho Federal (CFP) baixou a resolução nº 001/99, que não deixa nenhuma margem a dúvida:
"Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.
Art. 3° - Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica".
Evidentemente, a briga continua, mas agora no plano da opinião pública e do Legislativo. Além de nos bombardear com e-mails sobre a "perseguição" a psicólogos cristãos, os evangélicos tentam no Congresso aprovar um projeto de decreto legislativo (PDC 234/11) para sustar artigos da resolução do CFP.
Vale observar que o proponente da matéria, o deputado João Campos (PSDB-GO), também tem projetos de decreto para derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal que legalizou as uniões estáveis homossexuais e a que autorizou as marchas da maconha.
A iniciativa do parlamentar social-democrata (sim, há ironia no adjetivo) é uma tremenda de uma bobagem. Da mesma forma que um médico não pode hoje sair por aí dizendo que cura a doença de Huntington e um físico está impedido de afirmar que faz o tempo correr para trás, um psicólogo não pode proclamar que possui terapias efetivas contra o que seu ramo de saber nem ao menos considera uma doença. Não se pode bater de frente e em público contra os consensos da disciplina.
Não existe algo como psicologia cristã, hidrostática católica ou cristalografia judaica. Idealmente, juízos científicos se sustentam na racionalidade amparada por evidências (mas a questão é mais complicada, como veremos ao final do artigo).
É claro que a ciência, ao contrário das religiões, não trabalha com dogmas. Um pesquisador que pretenda provar que a homossexualidade é uma doença pode tentar fazê-la em fóruns apropriados, como congressos e trabalhos científicos, e sempre apresentando argumentações técnicas, cuja validade e relevância serão julgadas procedentes ou não por seus pares. Se ele os convencer, muda-se o paradigma. Caso contrário, ou ele abandona o assunto ou deixa de falar na condição de psicólogo.
Como cidadão, acredito eu, todos sempre poderão dizer o que bem entendem --além de fazer tudo o que não seja ilegal. Padres e pastores vivem afirmando que a homossexualidade é pecado sem que o céu lhes caia sobre a cabeça. É claro que a ABGLT protesta e de vez em quando um membro do Ministério Público pode tentar alguma estrepolia, mas isso é do jogo. Apesar de alguns atritos, a liberdade de expressão vem sendo relativamente respeitada no Brasil nos últimos anos, como o prova a decisão do STF sobre a marcha da maconha que o representante do PSDB quer derrubar.
Vou um pouco mais longe e, já adentrando em terrenos hermenêuticos menos sólidos, arrisco afirmar que nem o Código de Ética nem a resolução do CFP impedem um psicólogo de, em determinadas condições, ajudar um homossexual que busca abandonar suas práticas eróticas.
Imaginemos um gay que, por algum motivo, esteja profundamente infeliz com a sua orientação sexual e deseje tornar-se heterossexual. O dever do profissional que o atende é tentar convencê-lo de que não há nada de essencialmente errado no fato de ser gay. Suponhamos, porém, que o paciente não se convença e continue sentindo-se desajustado. Evidentemente, ele tem o direito de tentar ser feliz buscando "curar-se". E seu psicólogo não está obrigado a abandonar o caso porque o paciente não aceita a ciência. Ao contrário, tem o dever ético de fazer o que estiver a seu alcance para diminuir o sofrimento do sujeito.
O que a resolução corretamente veta é que o psicólogo coloque na cabeça de seus pacientes a ideia de que ser gay é uma falha moral que pode e deve ser revertida. Impede também que ele faça propaganda em que promete terapias efetivas.
Dito isto, não acho uma boa estratégia a do movimento gay de vincular a defesa dos direitos de homossexuais a uma teoria científica. Este me parece, na verdade, um erro grave.
Para começar, a ciência está calcada em hipóteses que podem por definição ser refutadas a qualquer momento. Vamos supor que o fundamento lógico para eu recusar a discriminação contra gays resida na "evidência científica" de que a homossexualidade tem componentes genéticos e ambientais, não sendo, portanto, uma escolha que possa ser modificada. Imagine-se agora que alguém demonstre de forma insofismável que tais evidências estavam erradas. O que ocorre neste caso? A discriminação fica legitimada?
Não é preciso puxar muito pela memória para lembrar que movimentos por direitos civis e "ciência" (sim, fora dos manuais de epistemologia, ela é uma atividade humana como qualquer outra que caminha ao sabor de circunstâncias políticas e constructos sociais) já estiveram em lados diferentes das trincheiras. Até 1990, a Organização Mundial da Saúde listava a homossexualidade como uma doença mental. Os psiquiatras americanos faziam o mesmo até 1977. Não sei se recomendava ou não o exorcismo, mas certamente autorizava profissionais da saúde mental a tentar a "cura".
O argumento contra a discriminação de minorias precisa ser moral. É errado discriminar gays, negros e membros de qualquer seita religiosa porque não gostaríamos de sofrer tal tratamento se estivéssemos em seu lugar.
Hélio Schwartsman
Hélio Schwartsman é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve na página 2 às terças, quartas, sextas, sábados e domingos. Na Folha.com, escreve às quintas-feiras.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Casal homossexual de Pernambuco consegue registrar bebê em cartório


Maria Tereza, de um mês, faz parte de uma família especial. Depois de 15 anos de relacionamento e do casamento civil, Mailton e Wilson resolveram correr atrás do maior sonho e se tornaram pais. Os dois conseguiram, na Justiça, o direito de ter seus nomes da certidão de nascimento da menina.
“Eu tenho conhecimento, pela internet, de que houve um caso de duas mulheres, que era dupla maternidade, e foi fruto de um processo judicial. Nesse caso, acredito que seja inédito, que seja o primeiro, porque são dois homens e foi feito administrativamente. Foi feito diretamente no cartório, não precisou de processo judicial, de ingresso com ação judicial”, diz Clicério Bezerra, juiz.
A dupla paternidade reconhecida na Justiça é um marco na vida do casal, que decidiu compartilhar a conquista. Para o empresário Mailton Albuquerque, Maria Tereza é a realização de um sonho. “É um precedente importante para as pessoas, assim como eu e o Wilson, completando neste ano 15 anos de casados, realizar um grande desejo, que é ter filho, fazer família, educar e mostrar para a sociedade que a gente consegue amar da mesma forma que um casal heterossexual”.
Maria Tereza foi gerada por fertilização “in vitro”, em um útero substituto. Para vir ao mundo, ela foi muito planejada e contou com a solidariedade de uma doadora anônima. O óvulo foi fecundado pelo espermatozóide do Mailton e implantado no útero que uma prima dele, que cedeu a barriga para que a menina fosse gerada. O Conselho Federal de Medicina autorizou a reprodução assistida para qualquer tipo de casal, no ano passado.
Os dois pais estão se adaptando à nova rotina, com fraldas e mamadeira, e já pensam em aumentar a família. “No próximo ano, nós já vamos colocar mais
“A gente espera dar continuidade na educação, no amor, no princípio, acima de tudo, do respeito, ensinando a Maria Tereza a respeitar o próximo e respeitar a diferença. Com isso, ela irá conquistar o respeito e a cidadania no nosso país”, acredita Mailton.
O próximo embrião será fecundado com o espermatozóide do Wilson, que já está congelado. De acordo com os pais, várias primas e irmãs já se candidataram a emprestar o útero para o futuro bebê.
Fonte: Jornal Hoje

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Matizes define data da Parada da Diversidade 2012 de Teresina

Foto do mural 5O Grupo Matizes se reuniu nesta segunda-feira (27) para definir a data da 11ª Parada da Diversidade, que este ano será no dia 31 de agosto. Antecedendo o evento, como ocorrem em todas as edições, será realizada mais uma  Semana do Orgulho de Ser, com início no dia 27 do mesmo mês.

Com o tema “Saúde e diversidade sexual”, o evento terá em sua programação diversas atividades. “A Semana é bastante diversa e ocorre em vários espaços. Teremos palestras, oficinas, show, mostras de filmes e muitas outras atrações”, informou a militante do Matizes, Marinalva Santana.

Integrantes do grupo irão se reunir com parceiros governamentais e não governamentais para acertar os detalhes da programação.

Da Redação
redacao@cidadeverde.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A campanha pelo casamento gay

FELIPE PATURY. COM LEONEL ROCHA E IGOR PAULIN E REPORTAGEM DE MARCELO OSAKABE

SUPERBACANA Caetano Veloso prometeu gravar um vídeo em defesa da união civil dos homossexuais (Foto: Marcos de Paula/AE)

Chico Buarque já gravou. Sandra de Sá, Zélia Duncan e a atriz Arlete Sales também. Caetano Veloso se comprometeu a dar seu depoimento. Todos esses figurões estrelarão a campanha em apoio à proposta de emenda constitucional que permite o casamento civil de homossexuais, elaborada pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Os vídeos serão veiculados a partir do próximo mês nas redes sociais. O projeto precisa de mais 70 assinaturas de parlamentares para começar a tramitar nas comissões técnicas da Câmara.
Revista Época

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TJ nega pedido do Matizes para regulamentar casamentos


A Corregedoria Geral de Justiça do Piauí negou o pedido do grupo Matizes, no sentido de que fosse regulamentada, através de provimento,  a conversão de união estável de pessoas do mesmo sexo em casamento, bem como a habilitação direta para o casamento.





O entendimento da corregedoria foi no sentido de que aquele Órgão  "não se encontra autorizada a editar norma regulamentando a habilitação para casamento e o casamento direto para pessoas com identidade de sexo, ante à ausência de previsão legal ou construção jurisprudencial".

Em seu despacho, a Corregedora Geral de Justiça, Desembargador Eulália Maria Ribeiro Gonçalves, determina que seja elaborado provimento regulamentando a lavratura de escritura pública de convivência de união estável homoafetiva.

Para Maria José Ventura, Coordenadora Geral do Matizes, a decisão da Corregedoria não constitui nenhuma inovação ou avanço, vez que os Cartórios já fazem escritura pública para registro de união estável entre pessoas do mesmo sexo. "Em Teresina, por exemplo, somente um dos cartórios que prestam esse tipo de serviço já lavrou 24 escrituras públicas, de maio de 2011 até agora", explica a Coordenadora.

Recomendação 

Em nota, o Grupo Matizes afirma que respeita o entendimento e a decisão da Corregedoria, mas dará todo o apoio jurídico aos casais homoafetivos que queiram requerer aos Juízes singulares a conversão de suas uniões estáveis em casamento e também àqueles que desejarem entrar com o pedido de habilitação direta para o casamento. Os casais interessados contarão com a assessoria jurídica da Drª Audrey Magalhães. 

O fundamento legal para o pedido será o art. 226, § 3º da Constituição Federal e também a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que autorizou um casal de lésbicas do Rio Grande do Sul a converterem sua união estável em casamento.
 
O Blog Diversidade apurou que, em vários estados do Brasil, casais de gays e de lésbicas já conseguiram autorização judicial para o casamento.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Oficina sobre Elaboração de Projetos em DH


MATIZESconvida:
Oficina: Elaboração de Projetos em Direitos Humanos
Facilitador: Prof. Dr. Solimar Oliveira
Data: 08-02 (quarta-feira)
Hora: 14h30min
Local: Auditório do CREAS I (Álvaro Mendes, 1801 - Centro)





Grupo Matizes
86 8816-8121 e 9417-9121Rua Lisandro Nogueira, 1223 - sl. 307 - Centro
64000-200 - Teresina- PI