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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2ª Mostra Estampídica: Festa da Solidariedade



Neste sábado, 14/01, a festa  da solidariedade  vai agitar toda a galera teresinense: 2ª Mostra Estampídica. Quer participar? Basta levar mamadeiras, brinquedos ou pacotes de leite, assim, vai aliar generosidade e curtição numa noite que vai rolar o som super maneiro  do Samba no Coreto, Eucapiau, A sala da Brusca, Conjunto Roque Moreira e Roraima e Theregroove. Poesia também estará no cardápio  com ‘Sociedade dos Poetar Porvir”. A festa acontece no Espaço Trilhos a partir das 22h.

O evento é uma realização do Projeto Estampido, atividade social sem fins lucrativos que visa promover o bem-estar, a cidadania, a alegria e diversão aos segmentos sociais mais marginalizados. Bia Magalhães, jovem integrante do projeto, sintetiza de forma poética e filosófica o que motiva o agir social do grupo: “Está estampado na nossa cara como somos diferentes das pessoas indiferentes das tristezas do mundo”.

Então, venha também se juntar a essa trupe do bem para promover uma festa cujos ingredientes principais serão adrenalina com dose de  gentileza, generosidade e muita criatividade. E como diz Charles Chaplin: “Ei!Sorria. Mostre aquilo que você é, sem medo/Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu/Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa. Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos/ Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome! /Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combate-la, mesmo que se sinta incapaz/ Procure o que há de bom em tudo e em todos”

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Túnel do tempo: Matizes nas trilhas de 2011


Ao longo de seus nove anos de atuação, o Matizes, em parceria com outros segmentos sociais,  fez e faz  uma caminhada de luta incessante pelos Direitos Humanos e pela defesa da liberdade de orientação sexual. Não negando sua história, em 2011,  o grupo não ficou sentado “no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dente esperando a morte chegar” e botou o bloco na rua  para protestar, propor, dialogar e contribuir para a construção de uma sociedade justa e plural. 


Como de praxe, o Matizes   discutiu e planejou suas ações para 2011.   Janeiro foi particularmente fértil em atividades que o grupo realizou ou participou como colaborador.   A oficina de Elaboração de Projetos foi uma das ações daquele mês.  A atividade visava compartilhar informações básicas para pessoas e segmentos sociais otimizarem suas ações a partir das linhas norteadoras de um projeto. 

Ainda em janeiro, Matizes e Liga Brasileira de Lésbias (LBL) realizaram a oficina “Uso das Mídias pelos Movimentos Sociais: como se faz”. Através da mediação da jornalista Viviane Bandeira, a atividade buscou oferecer conhecimentos sobre funcionamento da mídia, favorecendo, assim, que movimentos sociais possam interagir com os profissionais dos meios de comunicação, com seu próprio público interno e com a sociedade em geral.

Coerente com sua proposta de tematizar a questão ambiental em suas ações de 2011, o grupo buscou parceria com a REAPI (Rede Ambiental do Piauí), FURPA (Fundação Rio Parnaíba), Secretaria Municipal de Meio Ambiente(SEMAM) e outras entidades para participar  da I Semana da SOS Mata Atlântica no Piauí através do projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante. O evento ocorreu na segunda quinzena de janeiro.

Com o tema “Nosso sangue pela igualdade”  o Matizes promoveu  a campanha  em favor da vida através da Doação de Sangue. Aproveitou para botar boca no trombone e protestar contra  a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ANVISA que veta homens gays e bissexuais de doarem sangue. O evento aconteceu no fim de janeiro e repercutiu positivamente na mídia e na sociedade teresinense. Diversos parceiros do grupo abraçaram a causa e foram ao HEMOPI para colaborar com a atividade.





Em pleno espirito da folia de momo, matizian@s e parceir@s aliaram o lúdico e o politico para, literalmente, botarem o bloco na rua e celebrarem a Diversidade  Humana. Durante o Corso de Zé Pereira de Teresina, em fevereiro,  a tribo da diversidade colocou o caminhão da alegria para dizer “Recicle suas ideias e atitudes”. Com uma explosão de criatividade e bom humor, os participantes demonstraram através de suas fantasias  que a sustentabilidade ambiental deve ser uma constante em nossas ações cotidianas.

Com a mesma energia contagiante,  a tribo da diversidade  caiu  na folia de carnaval na festa do Bloco “Sanatório Geral”, comandada pelos produtores culturais Arimatan Martins e Jorginho Medeiros. O arco-iris banhou os participantes que estavam na Praça da Liberdade e todos tomaram  um porre de felicidade.
 
Com a fervorosa postura de se contrapor à violação de direitos da população LGBT, Matizes manifesta-se publicamente, na segunda quinzena de fevereiro,  a respeito das irregularidades na prisão de quatro travestis. O grupo enviou documento solicitando providências à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Conselho Nacional de Combate à Discriminação, Corregedoria Geral da Justiça e Conselho Nacional de Justiça.
 
Em março, o presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante, sinaliza para o Matizes que analisaria a constitucionalidade, através da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, da resolução da ANVISA que proíbe homens gays e bissexuais de doarem sangue. Esta ação foi resultado de uma provocação que o grupo e a LBL fizeram a OAB nacional.

No mês que comemorava o Dia Internacional da Mulher, Marinalva Santana, ativista incansável do  Matizes e LBL, recebeu com mais 23 mulheres a honraria ‘Mulher Destaque’. A homenagem foi um reconhecimento pela atuação firme e continua não só em defesa dos LGBT’S mas também pelo direitos das mulheres.

Com a consciência de que a mudança social em favor da justiça, igualdade e diversidade  se dá por meio das ações culturais, o Matizes prestigiou o lançamento da obra “O livro das memórias cor-de-rosa”, do escritor, ator e dramaturgo Franklin Pires. Ainda no fim de março, o grupo solidarizou-se com os artistas no ato pelo Dia Internacional do Teatro.

Em sua constante preocupação com a luta pelos Direitos da população LGBT, Matizes e LBL reuniram-se, em abril,  com a Defensora Pública Geral do Piauí, Norma Brandão Lavenere. A ação visava solicitar melhoria nos serviços de assistência judicial prestado pelo Núcleo de Direitos Humanos.

Durante o mês de maio, um importante acontecimento social e histórico marca a atuação dos grupos em defesa da cidadania do segmento LGBT: lançamento e posse do Conselho Municipal LGBT.  Matizes, LBL, ATRAPI, APTTRA, grupo Anjos, Coletivo de Gays Mirindiba estão presentes no evento.

Matizes, LBL e demais parceiros vão às ruas no mês de maio para realizarem ato pelo dia Mundial de Combate a Homofobia. Distribuição de flores para expressar que ‘gentileza gera gentileza’ e outras manifestações culturais marcaram o evento.




No início de junho, Matizes  entra em cena novamente para prestar apoio e orientação para um casal de lésbicas que sofreram ato discriminatório no Bar Planeta Diário. O casal estava dançando quando um segurança abordou as duas dizendo que o dono do estabelecimento não permitia aquele tipo de conduta.   O grupo acompanhou o casal para registrar ocorrência na Delegacia de Combate às Práticas Discriminatórias e no Disque Cidadania Homossexual.

Ainda em junho, ativistas do Matizes participam de atividades realizadas pela Organização da Parada de São Paulo. Através da distribuição de cartilhas, folder e outros materiais informativos, o grupo integrou a 11ª Feira Cultural LGBT paulistana. Com o tema “Amai-vos uns aos outros: Basta de Homofobia”, o grupo marcou presença na 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.




Em fase de preparação para a 7ª Semana do Orgulho de Ser/10ª Parada da Diversidade, matizian@s reúnem, em julho, parceir@s para ‘Carangayjada’ de lançamento dos eventos que ocorreram em agosto. Ao som de Jô Ribeiro, tod@s celebraram a Diversidade no Bar Cantinho do Biela. No mesmo mês, matizian@s também participam e prestam apoio aos organizadores da 1ª Parada da Diversidade de Timon.

 
Agosto teve um cardápio diverso de ações. Teresina foi tomada pelo arco-iris do começo ao fim do mês. O período iniciou-se com a oficina “Sexo Seguro” realizada na comunidade do São Joaquim. Jovens interagiram com o facilitador e compartilharam saberes sobre sexualidade e prevenção. A Festa “No tempo do cutruco” reuniu LGBT de todas as gerações.

A participação na Feira do Mirante contribuiu para o grupo dar visibilidade as suas ações e comercializar seus produtos culturais. Entre os dias 18 e 19 de agosto, o grupo participou intensamente da II Conferência Municipal  LGBT de Teresina. Em parceria com Associação de Proteção aos Animais (APIPA), o Matizes  participou ainda no dia 21 de agosto da “1ª Cãominhada de Teresina”.

De 21 a 26 de agosto, a temática da Diversidade Sexual entrou de vez calendário da cidade através da 7ª Semana do Orgulho de Ser. Com o tema “Cidadania LGBT e sustentabilidade ambiental: para além do consumo”, o evento trouxe para a berlinda ações como: mostra de filmes, desfile de moda com foco na sustentabilidade, 5ª Semana do Amor de Iguais, Show Divas Trans, performance teatral, palestras e debates.


A grande festa  ocorreu dia 26 de agosto com a 10ª Parada da Diversidade. A Avenida Raul Lopes ficou pequena para tod@s que foram cantar que “toda forma de amor vale a pena”. À noite, a galera soltou suas asas e mergulhou no show da Diversidade. Foi tuuuuuuuuuudo de bom!

Em setembro, o Matizes se fez presente  no II Seminário “Direitos e Deveres LGBT’S” organizado pela Associação de Gays, Lésbicas e Profissionais do Sexo (AGLEPS) de Caxias. Também participou e colaborou na 6ª Parada da Diversidade caxiense.

Para finalizar o ano com chave de ouro, os matizian@s organizaram em dezembro a festa “Dê Bandeira: viva seu amor sem medo”. A festa homenageou casais que representam as diversas formas de amar.

Em 31/12/11, 19:08 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FALA DE MARINALVA SANTANA NA ABERTURA da 2ª Conferência Nacional LGBT



"Primeiro, boa noite a todas as pessoas que se encontram neste auditório.

Saudar as delegações de todos os estados do Brasil. Cumprimentar as autoridades aqui presentes. Abraçar meus colegas do Conselho Nacional LGBT. Às mulheres lésbicas e bissexuais, um caloroso abraço.
Em momentos como este que vivenciamos agora é comum sermos tocados pela euforia, pela empolgação. Efusividades à parte, permitam-me concitar às representações da sociedade civil e do Poder Público, presentes nesta Conferência, a refletirem sobre os desafios que nos esperam para, de fato, fazermos valer o tema desta Conferência, de um País livre da miséria e da discriminação.
Dialogando com as representações da sociedade civil – que é o lugar de onde eu falo – quero sublinhar que para nós está posta a tarefa de reassumirmos nosso papel de sociedade civil organizada. A subserviência, o acocoramento diante dos governos - sejam eles de quaisquer partidos ou forças políticas - devem ser varridos de nossa prática militante (não é só a homo-lesbo-transfobia que devem ser varridas), o acocoramento e a subserviência também, porque prestam um desserviço à democracia e emperram os avanços e as conquistas que precisamos alcançar.
Por isso, o que se espera é que nesta Conferência nós da sociedade civil tenhamos a responsabilidade de levar a cabo a discussão dos temas que estão na ordem do dia, inclusive para dar o bom exemplo de uso responsável com os recursos públicos investidos nesta Conferência. Oxalá que das discussões saiam daqui as melhores, mais consistentes e factíveis propostas de políticas públicas para a construção da cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis.
Por demais óbvio que nossa responsabilidade não termina com o fim desta conferência, no próximo domingo. Pelo contrário, pós-conferência, nossa responsabilidade será redobrada. Precisamos continuar a exercer, com intrepidez, autonomia, nosso papel de controle social. Precisamos cobrar sim, do Poder Público que as proposições aprovadas pelos participantes desta Conferência não se transformem em meras figuras de retórica e sejam, de fato, implementadas.
Para @s representantes do Poder Público, nas esferas municipal, estadual e federal, queremos dizer que o Brasil está atrasado - e muito - no resgate da dívida histórica que tem com a população LGBT. Por isso, não há mais espaço e nem tempo para a espera. Tomando emprestadas as palavras do meu conterrâneo piauiense Torquato Neto: só queremos saber do que pode dar. Não temos tempo a perder.
Ademais, importante gizar que, em um estado democrático de direito, não se pode ceifar direitos e garantias de pessoas para atender à imposição dos fundamentalismos propagados por algumas religiões. Ou seja: não existe estado democrático de direito sem o respeito ao princípio da laicidade.
Em nosso País, cotidianamente, Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são achincalhados, humilhados, mortos – e isso coloca em xeque os mais comezinhos pressupostos de uma sociedade democrática e igualitária.
Por isso, a nossa luta é todo dia por um País livre da miséria e da discriminação, sim, mas também por um País sem machismo, racismo e LGBTfobia.
Muito obrigada

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, recebeu ativistas do movimento social que atuam na defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais


      A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, recebeu ativistas do movimento social que atuam na defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. O encontro aconteceu durante as atividades da 2ª Conferência Nacional LGBT, realizada em Brasília, no período de 15 a 18 de dezembro.
Representantes de entidades como a CUT, CNTE (Conf. dos Trabalhadores na Educação), Central dos Movimento Populares e Liga Brasileira de Lésbicas discutiram com a Ministra ações em defesa da população LGBT. Os representantes das entidades nacionais também sugeriram à Ministra algumas alterações no funcionamento do Conselho Nacional LGBT.
Segundo Marinalva Santana, representante da Liga Brasileira de Lésbicas no Conselho Nacional LGBT, esse órgão colegiado, criado no Governo Lula e instalado no início deste ano, ainda tem algumas debilidades no seu funcionamento e que precisam ser corrigidas. "Dentre outras reivindicações, nós pleiteamos junto à Ministra que todas as organizações da sociedade civil que integram o Conselho tenham tratamento igualitário, porque hoje, infelizmente, isso não acontece", explica Marinalva.
A Ministra Maria do Rosário se mostrou bastante sensível ao pleito apresentado pela entidades. A próxima reunião do Conselho Nacional LGBT acontecerá no mês de fevereiro, em Maceió.
Marinalva e Min. Maria do Rosário.JPGMarinalva e Min. Maria do Rosário
Reunião com Maria do Rosário.JPGReunião com Maria do Rosário
Reunião SDH.JPGReunião SDH

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LGBT'S do Piauí participam de Conferência Nacional em Brasília


Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais de todo o Brasil participam em Brasília da 2ª Conferência Nacional LGBT. O evento começou na última quinta-feira e se encerra neste domingo, 18-02.
A 2ª Conferência Nacional LGBT tem como tema  "Por um país livre da pobreza e da discriminação: promovendo a cidadania LGBT" e conta com a participação de cerca de 600 delegados, 200 convidados e 200 observadores. O Piauí participa da Conferência com uma delegação de cerca de 20 pessoas. 

Os participantes da Conferência discutem propostas para a promoção da cidadania LGBT, nas mais diferentes áreas (educação, saúde, segurança pública, cultura etc). Ao final, serão aprovadas propostas de políticas públicas que servirão de base para a elaboração do Plano Nacional de Cidadania da população LGBT.

Segundo Marinalva Santana, da Liga Brasileira de Lésbicas, temas como a criminalização da homofobia e o aumento da violência contra LGBT são os mais recorrentes nos paineis e nos grupos de trabalho. "Infelizmente a omissão do Estado tem contribuído enormemente para o aumento da violação de direitos da lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Nossa reivindicação é que as propostas aqui aprovadas sejam, de fato, implementadas", pontua a militante.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Carta Aberta de Toni Reis ao Congresso Nacional sobre Criminalização da Homofobia no Brasil


para   conhecimento e  livre  publicação

Carta Aberta ao Congresso Nacional Brasileiro


Senhores Senadores e Senadoras, Deputados e Deputadas,

Na semana que passou, tive a alegria e a tristeza de participar de três importantes eventos ocorridos no Brasil.

Primeiro, foi com alegria que recebemos a Unesco Internacional e demais representantes e especialistas de 25 países dos cinco continentes, incluindo México, França, Alemanha, Inglaterra, China, África do Sul, Holanda, Chile, Samoa, Austrália, Lituânia, Israel, Estados Unidos, Namíbia, Turquia, dentre outros, com o objetivo de discutir soluções para a homofobia nas escolas.

Percebemos com alegria que no Brasil, mesmo com os problemas de discriminação e violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), há avanços significativos no combate à homofobia em geral, tanto no poder Executivo quanto no poder Judiciário.

Na sexta-feira participei da entrega da 17ª edição do Prêmio Direitos Humanos 2011 na qual a presidenta Dilma Rousseff reafirmou a orientação política de seu governo de que todas as políticas públicas estejam pautadas pelo respeito aos Direitos Humanos.  “Não haverá país desenvolvido e civilizado, com potencial econômico mundial, se não respeitarmos os Direitos Humanos. Temos uma clara postura contra a intolerância.” E disse mais: “Não é possível um país de 190 milhões de pessoas crescerem só para alguns e excluir outros”. E citou textualmente que se deve respeitar a opção[1][1] (sic) sexual  das pessoas.  Parabéns, Presidenta Dilma!

Estas foram as alegrias.

No entanto, na quinta-feira, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, na qual foi discutido o Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006 que criminaliza a homofobia, vi cenas e gestos e ouvi expressões que nunca queria ver e nem ouvir.  Vi quatorze deputados e uma deputada, assim como trinta e oito pastores e pastoras de religiões evangélicas fazendo a maior pressão para que nós LGBT não tenhamos cidadania plena e justa neste país. Vi senadores fazendo o alvoroço para não ser aprovada a criminalização da homofobia no Brasil. Foi triste ouvir dois senadores falarem que no Brasil não há homofobia, que o movimento LGBT quer transformar o Brasil num império homossexual, que o projeto de lei é “um lixo”, falando que é inconstitucional porque feriria a liberdade de expressão e outros argumentos beirando à ignomínia.

Nós, pessoas LGBT, não queremos privilégios, não queremos um “império” próprio. Apenas reivindicamos sermos tratados pela legislação brasileira, como seres humanos e cidadãos/ãs brasileiros/as que somos, de fato e de direito. Afinal, cumprimos o dever do voto, pagamos nossos impostos e nosso dinheiro também serve para movimentar e impulsionar a economia brasileira. No entanto, parte do poder Legislativo Federal, lamentavelmente, comete o erro gravíssimo de não nos reconhecer como tal.

Como afirmar que “no Brasil não há homofobia”? Então, como se chama a crescente e assustadora “onda” de assassinatos e violências físicas contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, acontecendo a todo minuto em alguma região do território brasileiro, a exemplo dos ocorridos na Avenida Paulista? Como explicar o fato de, a cada 36 horas (segundo estatísticas do Grupo Gay da Bahia – GGB), uma pessoa  homossexual é brutalmente assassinada no Brasil, com os mais absurdos e inimagináveis requintes de crueldade? Pesquisas realizadas por instituições de renome comprovam que 70 por cento da comunidade LGBT já foram discriminados em algum momento na vida por ser LGBT, e 20% já sofreram violência física.

Defendemos totalmente o artigo 5º inciso IX “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, porém isso não dá salvo-conduto para incentivar a violência, a discriminação e abertura para o charlatanismo desenfreado contra nós LGBT ou qualquer outro(a) cidadão/cidadã brasileiro(a).

O Projeto de Lei nº  122/2006  está  de acordo com o artigo 3° inciso IV e artigo 5° da Constituição Federal, que garante que todos são iguais perante a lei sem discriminação de qualquer natureza.Também está de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ainda, o Programa Nacional de Direitos Humanos II, no item 114, prevê a aprovação da lei antidiscriminatória por orientação sexual.

Ademais, projetos de lei similares já foram aprovados em 62 países em todos os continentes.  112 cidades brasileiras têm sua lei antidiscriminatória, dentre as capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Natal, Fortaleza; também vários Estados já aprovaram sua lei antidiscriminatória: São Paulo, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Pará.

Por outro lado, vi e contei, apenas um deputado federal, Jean Wyllys (PSOL-RJ) nos defender firmemente, assim como as três senadoras: Marta Suplicy (PT-SP), Marinor Britto (PSOL-PA) e Lídice da Matta (PSB-BA), seguidas pelos senadores solidários Eduardo Suplicy (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT- DF) e Humberto Costa, líder do PT no Senado, bem como o senador Paulo Paim (PT-RS). Também vi quatro assessorias de ministérios presentes nos ajudando. A troca do suplente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa pelo líder do PT foi a maior prova de que temos muitos(as) aliados(as) no Congresso.

Na semana que antecedeu o fato, presenciamos milhares de mensagens nas redes sociais (facebook, orkut e twitter) favoráveis e contra. Os argumentos favoráveis sempre numa lógica de construirmos um país com menos violência e com menos discriminação.  Os argumentos contrários numa linha fundamentalista, beirando à teocracia.

A senadora Marta Suplicy, com sua inteligência e perspicácia, fez de tudo para que buscássemos um consenso. Falou com A a Z no Brasil. Inclusive indo até a CNBB, falando com todos e todas e nesse processo fez um substitutivo que realmente não era o ideal, mas foi o acordo possível naquele momento.

Com o acordo aumentou o número de parlamentares favoráveis, mas infelizmente os adversários não acataram as pactuações e o projeto de lei foi retirado da pauta da sessão da Comissão para reexame. Na sessão tínhamos um empate de votos. Não poderíamos correr o risco de perder. Neste sentido quero render todas as minhas homenagens à senadora Marta Suplicy. Porém, do fundo do meu coração e na minha profunda reflexão, não podemos e nem faremos mais concessões. Queremos um projeto que não hierarquize discriminações e violências. A violência que atinge uma pessoa LGBT deve ser penalizada da mesma forma que a violência que atinge uma pessoa judia, negra, indígena, com deficiência, uma mulher... qualquer pessoa, inclusive já há leis neste sentido. Enfim, queremos um projeto autêntico. Não queremos leis genéricas. Sabemos que a violência em nosso país tem cor, tem situação econômica e tem orientação sexual e identidade de gênero. Vamos para o voto, sem concessões de qualquer natureza.  Queremos que sejam respeitados os preceitos da Constituição Federal, quando falam dos princípios da igualdade, da liberdade, da não discriminação e da segurança jurídica, assim como fez o Supremo Tribunal Federal no dia 5 de maio de 2011, quando reconheceu nosso direito à união estável, enquanto o projeto de lei sobre o mesmo assunto está mofando no Congresso Nacional há 16 anos.

Como já tínhamos aprovado no IV Congresso da ABGLT em novembro, vamos seguir abertos ao diálogo, mas engrossando a voz e reestruturando as táticas e as estratégias com o acúmulo de nossas forças.

Com a retirada para reexame, como já dizia Lênin, para dar "um passo para trás, para poder dar dois para frente." Vamos convocar todos(as) que são parceiros(as) e pessoas aliadas, onde estiverem para se posicionarem. Vamos pactuar amplamente com a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT.

Em 2012 vamos propor que as 250 Paradas do Orgulho LGBT focalizem na criminalização da homofobia, integralmente, sem exceções e por uma educação sem homofobia, seguindo a tendência internacional. 

E vamos estudar a viabilidade de novamente recorrer ao Judiciário.  Será que uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade interpretaria à luz da Constituição Brasileira se somos ou não cidadãs e cidadãos com os mesmos direitos de fato, sem distinção de qualquer natureza?

Não podemos ficar satisfeitos com migalhas ou fatias de pão. Agora queremos o pão inteiro.

Aprovando a criminalização da homofobia ninguém perderá direito algum e nós, mais de 19 milhões de LGBT no Brasil, estaremos mais um passo rumo à cidadania plena.

Continuaremos sempre na política do diálogo, com respeito e tranquilidade, mas não nos amedrontaremos, apequenaremos ou acovardaremos com ameaças, seja de quem for. Queremos, como já dizia Aristóteles, ser felizes e cidadãos. Afinal a finalidade maior da vida é a felicidade.

Para concluir, gostaria de citar Chico Xavier:

“A gente pode
morar numa casa mais ou menos
morar numa rua mais ou menos
morar numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos
A gente pode
...
Olhar em volta e sentir que tudo
está mais ou menos
TUDO BEM
O que a gente não pode mesmo,
nunca, de jeito nenhum,
É amar mais ou menos
É sonhar mais ou menos
É ser amigo mais ou menos
...
Senão a gente corre o risco de se
tornar uma pessoa mais ou menos.”


Pela criminalização da homofobia já! Pela aprovação da Lei Alexandre Ivo. Os direitos humanos ou valem para todos e todas, ou não valem para ninguém. Não queremos guerra, queremos paz e amor ao próximo.

Aproveitamos para desejar um feliz natal e que em 2012 possamos aprovar a lei.



Curitiba, 12 de dezembro de 2011


Toni Reis 

Presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT
Professor formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná
Especialista em Sexualidade Humana pela Universidade Tuiuti do Paraná
Mestre em Filosofia pela Universidade Gama Filho
Doutorando em Educação
Diretor Regional da GALE, Global Alliance for LGBT Education

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

(des)governo Wilson Martins: o inimigo dos Direitos Humanos

Piauiense cobra políticas públicas para lésbicas em conferência




Depois de desmantelar todas as ações afirmativas existentes no Estado em favor da população LGBT, o (des)governo Wilson Martins (PSB) apronta mais uma:
A delegação do Piauí eleita para a 2ª Conf. Nacional LGBT corre um sério risco de não ir a BSB. Até agora, as passagens não foram emitidas e as informações são mais desencontradas possíveis. Depois de várias barbeiragens da SASC, o que sabemos é q as agências de turismo se recusam a emitir as passagens por conta da inadimplencia.
Esse mesmo governo, inimigo dos direitos humanso,  devolveu ao governo Federal mais de R$ 100.000,00 em recursos q deveriam ser usados em ações de enfrentamento à violência homofóbia;
Para nossa vergonha, o Piauí é um dos 6 estados do Brasil q não firmaram compromisso de implementar ações na área de segurança pública para combater a violência homofóbica.
Infelizmente, parte das pseudo lideranças do movimento LGBT do Piauí se acovarda e se cala diante de todos esses desmando. Pior que isso: quando nós do Matizes e da LBL denunciamos, somos acusados de "querer aparecer".
É, decididamente, não dá para ser feliz vivendo aki.
Marinalva Santana - Matizes/LBL